"Todo aquele que se lança ao design está transformando situações existentes em situações preferidas." Herbert Simon
Categorias: Livros, Papo de buteco

Antes que algum metido a antenado comece a dizer “Ei, ei, ei! Já existe um livro em inglês com esse título!”, eu confesso. Sim, já existe o “Paradox of Choice”, escrito por Barry Schwartz (capa aí do lado). E nem li o livro ainda para falar a verdade, mas vi uma palestra dele e já fiquei muito curioso.

Uma questão que penso freqüentemente é o fato de estarmos cada vez mais ansiosos, no desespero de fazer a melhor escolha sempre. Tudo bem, natural querermos fazer as melhores escolhas, faz parte da nossa racionalidade. O problema é que as opções hoje são tantas que tem até gente ficando deprimida na pressão de fazer a escolha certa. O que nos leva a pergunta: será bom mesmo termos esse excesso de opções para tudo? A realidade é que a maioria das pessoas não sabe lidar bem com tantas alternativas, e imagino que o livro fale exatamente sobre isso.

Pense bem: quantos canais de televisão você tem na sua casa? Você já se pegou inquieto com um controle remoto, trocando de canal incessantemente procurando o melhor programa? E um ipod com um milhão de músicas, que faz a gente pular de faixa em faixa até encontrarmos a ideal para um determinado momento? E com uma máquina digital, deletando e tirando a mesma foto que nem um maluco até pegar a melhor? Se você já passou por qualquer dessas situações sabe do que estou falando.

E o pior: isso acontece com tudo, em todos os campos da nossa vida. Quando estamos em um emprego ficamos pensando “Será que eu conseguiria alguma coisa melhor?”, quando estamos em um namoro pensamos “Será que eu conseguiria uma pessoa melhor?”. As pessoas acabam ficando cada vez mais ansiosas ou, pior, acabam ficando sem nada. É ótimo e até saudável ter ambições, mas em um sentido de melhorar a sua satisfação, tendo cuidado para não entrar num modo de infelicidade contínua ou paralisia na impossibilidade de fazer a escolha.

Para organizar o pensamento, o autor do livro pontua as razões para “mais ser menos”, explicando porque talvez ficaríamos mais felizes com nossas escolhas se não tivéssemos que escolhê-las entre tantas. São elas:

Arrependimento e arrependimento antecipado

Quando se tem muitas opções, não importa a escolhida, é fácil imaginar que você poderia estar mais satisfeito se tivesse escolhido alguma das outras opções. O fato de ter muitas alternativas potencializa a chance de você se arrepender da escolha que fez.

 

Custo de Oportunidade

A cada escolha que fizemos deixamos de ganhar os benefícios das outras opções. Quando elas são muitas, esse sentimento de “não-ganho” para cada alternativa rejeitada se soma, diminuindo a satisfação.

Aumento de expectativa

Quanto sabemos de todas as propriedades extras de cada alternativa e de todas as potencialidades da nossa escolha, a expectativa inevitavelmente aumenta. Por vezes você nem precisa de tantas coisas, mas só de saber que elas existem elas acabam entrando na lista do que você espera. Quão maior a expectativa, muito provavelmente maior será a decepção.

Aumento de Expectativa

 

Sentimento de culpa

Quando não existem tantas opções, a culpa da nossa má-escolha não é nossa,  mas do mundo. Não foi nos oferecido tanto. Mas quando existem muitas alternativas e acreditamos que uma delas seria exatamente o que estávamos esperando, a má-escolha passa a ser culpa nossa.

 

***

Pensando nisso tudo, sinto que a cada dia estou “limitando” minhas alternativas constantemente para não cair nesse ciclo vicioso de aumento de ansiedade. Até porque tenho ficado com muita preguiça de ter que escolher entre tantas coisas. Minha principal regra é: foco no que me satisfaz. Eu fico prestando atenção nas coisas que eu faço, o que como, para onde eu saio, trabalhos que me satisfazem, fico fazendo essa avaliação e depois caio de cabeça no que percebi que gostei. Não fico insistindo muito tentando achar A melhor alternativa. Tá bom? Ótimo! Escolhi até um símbolo para esse comportamento: agora tenho um armário com uma porta só. Todo mundo fica reclamando que tem pouco espaço para roupa, então eu resolvi ir no caminho contrário, peguei o menor armário possível. Agora eu só mantenho comigo o que dá para colocar nesse armário. Vou te dizer, estou há um ano nesse esquema e estou me sentindo ótimo. Fiz a mesma coisa com mala, agora só viajo com uma pequena. Inverti o ditado, e agora sigo no “Melhor faltar que sobrar”.

Algumas pessoas estranham. Falam que ir sempre nos mesmos restaurantes e pedir os mesmos pratos é coisa de velho. Percebem que eu estou sempre com as mesmas roupas. Que eu só saio com as mesmas pessoas. Por que eu faço isso? Simplesmente porque eu não quero perder tanto tempo. Você perde tempo antes da escolha, considerando todas as possibilidades, e perde tempo depois, pensando e repensando se você fez mesmo a melhor alternativa. Preguiça… Como o Barry lá fala: “Segredo da felicidade? Diminua suas expectativas.”. Parece frio, mas as pessoas que pensam assim são as que mais curtem.

Veja a palestra do cara que vale a pena:

1 Comentario

Ricardo

setembro 22nd, 2008

Me amarrei! O site tá muito legal e a mensagem também é muito boa

Abraço!

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