"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho
Categorias: Papo de buteco

Há algum tempo atrás recebi um email que achei genial. Era a mensagem de uma newsletter que assino, de uma publicação inglesa chamada ArtsProfessional. Basicamente era um pedido de desculpas por um erro cometido pelo sistema deles. Reproduzo a mensagem abaixo.

ArtsProfessional

(Tradução canhestra abaixo)

Recentemente nós te enviamos uma oferta de acesso gratuito ao ArtsProfessional. Porém, parece que nossa tecnologia de ponta estava tirando uma folga e pode ser que você não tenha conseguido se logar em nosso site. Depois de muitos consertos e testes (e uma abundância de cafeína), nós conseguimos resolver o problema. Você nos dará uma segunda chance? Nós ficaríamos muito felizes se você pudesse desfrutar da ArtsProfessional, de graça, para que você mesmo possa avaliar se nossas notícias, comentários, artigos e dicas de gestão são tão boas quanto dizemos que elas são.

Dá para sentir o humor britânico no texto inteiro, uma espécie de auto-deboche que eu acho o máximo. Mas o que eu acho mais importante é a sinceridade e o pedido de desculpas em si. Para falar a verdade eu nem tinha percebido o erro deles, porque não tinha tentado me logar antes para participar da tal promoção. Mas depois que recebi a mensagem fiquei curioso e acessei o formulário. Ou seja, além deles terem sido simpáticos com quem não conseguiu realizar a operação antes, eles ainda devem ter conseguido mais participantes para a iniciativa.

Se você tem confiança na qualidade do seu trabalho, assumir o erro pode ser excelente. É até gostoso, porque a partir daí você só tem a ganhar. Quando o problema acontece mas quem cometeu o erro fica tentando encobri-lo cria-se uma situação tão desconfortável, de pisar em ovos, que é muito difícil se concentrar no trabalho depois. A probabilidade de novos erros acaba aumentando. Mas quando se assume o erro é como se fosse falado “Beleza, errei, vamos começar de novo?”. E pronto.

Sendo um pouco mais ousado, acho que às vezes é útil assumir o erro mesmo que você não saiba direito quem foi o responsável por ele. Porque aí se passa logo do momento chato de apontamento de dedos e partes-se logo para etapa de resolução. Mais prático. O browser Firefox tem uma janela de erro que é mais ou menos assim:

Firefox

Nesse caso do Firefox acho que na maioria das vezes o erro foi meu. O computador deu um pau e desligou sozinho, ou eu abri mais coisas do que devia e o sistema começou a dar problemas. Mas o Firefox vem e assume a culpa. E está beleza, bola para frente, vamos começar de novo. Em nenhum momento eu pensei “Nossa, que browser ruim que fica travando o tempo todo.”. Muito pelo contrário.

As pessoas tem medo de assumir o erro, acham que vai arranhar a credibilidade delas. Se você não faz um bom trabalho talvez seja útil encobrir o erro mesmo. É um comportamento medíocre, mas pelo menos é coerente com sua postura como um todo. Mas se a pessoa tiver confiança na qualidade do que está sendo produzido e, de vez em quando, cometer falhas no caminho (o que acontece em todos os processos saudáveis) acho bem útil não ter esso medo de assumir a responsabilidade. No final tudo acaba fluindo melhor.

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Tudo na mesma noite. Ai… :)

Back2Black Festival

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Hoje me disseram que poderíamos ver uma chuva de meteoros no céu, entre 00.30 e 2.30 da manhã. Estou morando em um morro aqui do Rio e resolvi subir no terraço para tentar ver o tal fenômeno. O céu estava meio nublado e eu não tive paciência de ficar esse tempo todo lá em cima, então pra falar a verdade acabei voltando pra cama sem olhar meteoro nenhum, mas antes de descer vi outra coisa interessante. O vizinho estava na varanda dele, sozinho, olhando a vista (Baía de Guanabara e as luzes do Flamengo), tomando uma cervejinha e ouvindo “Samba do Avião“. 1 da manhã. Sensacional.

E de repente me veio o pensamento de que essa sensação do vizinho só é possível aqui no Rio. E que só a gente pode sentir. Não sei se quando digo “a gente” estou pensando em brasileiros ou cariocas, mas definitivamente entender a música é fundamental para o que quer que seja esse sentimento.

Fiquei pensando nessas coisas porque tenho vários amigos gringos que vêm para cá e ficam loucos com a cidade. Mesmo sem entender direito o que as pessoas estão falando e, principalmente, o que as palavras das músicas que eles gostam tanto dizem. Imagina se entendessem? E de repente me deu meio que uma pena deles por isso, porque é tão bom, né? Acho que viver e sentir o Rio, ouvindo qualquer coisa do Tom Jobim, João Gilberto, Paulinho da Viola, é uma sensação tão única, tão especial, que gostaria de alguma forma tentar passar esse sentimento para eles. Mas acho que é impossível.

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Agora fala sério… Fiquei uns 8 meses sem escrever no blog para voltar com esse post. Me desculpem se estiver bobo de mais. Mas me deu vontade de falar isso aqui :)