Há algum tempo atrás recebi um email que achei genial. Era a mensagem de uma newsletter que assino, de uma publicação inglesa chamada ArtsProfessional. Basicamente era um pedido de desculpas por um erro cometido pelo sistema deles. Reproduzo a mensagem abaixo.

(Tradução canhestra abaixo)
Recentemente nós te enviamos uma oferta de acesso gratuito ao ArtsProfessional. Porém, parece que nossa tecnologia de ponta estava tirando uma folga e pode ser que você não tenha conseguido se logar em nosso site. Depois de muitos consertos e testes (e uma abundância de cafeÃna), nós conseguimos resolver o problema. Você nos dará uma segunda chance? Nós ficarÃamos muito felizes se você pudesse desfrutar da ArtsProfessional, de graça, para que você mesmo possa avaliar se nossas notÃcias, comentários, artigos e dicas de gestão são tão boas quanto dizemos que elas são.
Dá para sentir o humor britânico no texto inteiro, uma espécie de auto-deboche que eu acho o máximo. Mas o que eu acho mais importante é a sinceridade e o pedido de desculpas em si. Para falar a verdade eu nem tinha percebido o erro deles, porque não tinha tentado me logar antes para participar da tal promoção. Mas depois que recebi a mensagem fiquei curioso e acessei o formulário. Ou seja, além deles terem sido simpáticos com quem não conseguiu realizar a operação antes, eles ainda devem ter conseguido mais participantes para a iniciativa.
Se você tem confiança na qualidade do seu trabalho, assumir o erro pode ser excelente. É até gostoso, porque a partir daà você só tem a ganhar. Quando o problema acontece mas quem cometeu o erro fica tentando encobri-lo cria-se uma situação tão desconfortável, de pisar em ovos, que é muito difÃcil se concentrar no trabalho depois. A probabilidade de novos erros acaba aumentando. Mas quando se assume o erro é como se fosse falado “Beleza, errei, vamos começar de novo?”. E pronto.
Sendo um pouco mais ousado, acho que às vezes é útil assumir o erro mesmo que você não saiba direito quem foi o responsável por ele. Porque aà se passa logo do momento chato de apontamento de dedos e partes-se logo para etapa de resolução. Mais prático. O browser Firefox tem uma janela de erro que é mais ou menos assim:

Nesse caso do Firefox acho que na maioria das vezes o erro foi meu. O computador deu um pau e desligou sozinho, ou eu abri mais coisas do que devia e o sistema começou a dar problemas. Mas o Firefox vem e assume a culpa. E está beleza, bola para frente, vamos começar de novo. Em nenhum momento eu pensei “Nossa, que browser ruim que fica travando o tempo todo.”. Muito pelo contrário.
As pessoas tem medo de assumir o erro, acham que vai arranhar a credibilidade delas. Se você não faz um bom trabalho talvez seja útil encobrir o erro mesmo. É um comportamento medÃocre, mas pelo menos é coerente com sua postura como um todo. Mas se a pessoa tiver confiança na qualidade do que está sendo produzido e, de vez em quando, cometer falhas no caminho (o que acontece em todos os processos saudáveis) acho bem útil não ter esso medo de assumir a responsabilidade. No final tudo acaba fluindo melhor.










