"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho

 

Imagine conexões de internet muito mais rápidas. Imagine internet em vários dispositivos portáteis, espalhados pela cidade e pelos nossos bolsos.  Imagine tecnologias de vídeo e reconhecimento de voz cada vez mais sofisticadas.

Nesse contexto, imagine as novas possibilidades para criação de anúncios e interação com mercado consumidor. Agora pare de imaginar e comece a olhar a sua volta: nós estamos vivendo esse momento, não estamos mais fazendo apenas previsões. De acordo com o relatório da IBM The end of advertising as we know it, “Nos próximos 5 anos nós veremos mais mudanças na indústria da propaganda do que tivemos nos últimos 50 anos.” O documento foi escrito no final do ano passado e, pelo que estamos vendo, eu não duvido que eles estejam certos.

Meu irmão me mostrou hoje uma página do YouTube anunciando o wii, não deixem de ver. É divertido e, acima de tudo, inspirador. E atenção, é realmente uma página do YouTube, como todos os links funcionando. Vejam nesse link.

Também achei outra página da web usando um recurso impressionante: navegação por movimento! Isso mesmo, a navegação pelo site pode ser feita pelo movimento das nossas mãos no ar. Tudo bem que só funciona para quem tem um notebook com webcam e uma conexão rápida, mas dá uma palhinha muito boa do que começaremos a ver em muito pouco tempo espalhado por aí. Nesse link.

Por esse post e pelo anterior dá para ver que estou animado…

Com todos esses problemas no mercado financeiro já tem um pessoal falando de “crise do modelo capitalista”, e uns vermelhinhos num tom de “não dissemos?”. Na minha humilde opinião esse papo é uma besteira, e eu estou cada vez mais animado, até otimista, com o caminho que as coisas estão tomando.

O mundo hoje é diferente do que tínhamos na década de 80. A população global é estimada em 6,75 bilhões de pessoas, e o Banco Mundial estima que nos últimos 20 anos 1 bilhão de pessoas – a maior parte dos países asiáticos – foram inseridas no mercado de trabalho. É muita gente. O mundo e o consumo cresceram à base de mão-de-obra, matéria-prima e créditos muito baratos. Foi tudo muito rápido, e é lógico que em algum momento precisaríamos dar uma parada para reorganizar as coisas. Agora vêm alguns países querer dar lição de moral nos EUA. A Folha de hoje mostra uma frase de Steinbrueck, ministro das Finanças da Alemanha, dizendo que “o que provocou a crise foi um exagero irresponsável do princípio de um mercado livre e sem controles.” Pode ser. Mas que a Alemanha e todo o mundo se aproveitaram, e muito, do ritmo do consumo americano isso ninguém pode negar. Nas últimas décadas houve uma mudança de patamar no processo civilizatório mundial que, quer queiram quer não, foi sustentando pelo capitalismo. Papos de globalização não seriam tão freqüentes sem a integração proporcionada pelo aumento da comunicação, consumo e de transações comerciais entre os países.

E agora? Agora já estão falando na criação de órgãos reguladores com visão global. E em um contexto saudável, multipolar, em que dificilmente um FMI coordenado apenas por um país seria aprovado. Um Bretton Woods com muito mais gente participando. Jeffrey Garten, no Financial Times, fala de um órgão gerenciado por autoridades dos EUA, União Européia, Japão, China, Arábia Saudita e Brasil. Junto a isso temos mais gente participando do mercado de trabalho e consumo. Mais gente pensando, produzindo e criando. Mais países seguindo políticas macro-econômicas responsáveis. Mais relacionamentos de cooperação bilaterais. E acredito ser um caminho sem volta. Todos que passaram a consumir, seja no Méier aqui no Rio, em uma periferia de Pequim ou em Mumbai, vão querer que seus filhos continuem nesse caminho. Todos já acostumados com seu padrão de vida nos países desenvolvidos não vão querer largar o osso. A realidade é que será muito difícil reeducar toda uma classe média mundial a não viajar, consumir e se comunicar mais como está acontecendo hoje.

Por isso tudo, sinceramente, estou muito animado. Não penso que o modelo capitalista esteja em declínio ou nenhuma coisa do gênero, pelo contrário. Acho que estamos entrando numa fase de arrumação da casa, para que possamos curtir com mais tranqüilidade e estabilidade os benefícios que esse ritmo rápido de crescimento das últimas décadas está trazendo para o mundo. Essa adaptação pode até ser um tanto quanto dolorosa, mas a gente vai sobreviver e não tenho dúvidas que os resultados serão muito positivos.

Ou será que eu estou sendo otimista demais? :)

Categorias: Livros, Papo de buteco

Antes que algum metido a antenado comece a dizer “Ei, ei, ei! Já existe um livro em inglês com esse título!”, eu confesso. Sim, já existe o “Paradox of Choice”, escrito por Barry Schwartz (capa aí do lado). E nem li o livro ainda para falar a verdade, mas vi uma palestra dele e já fiquei muito curioso.

Uma questão que penso freqüentemente é o fato de estarmos cada vez mais ansiosos, no desespero de fazer a melhor escolha sempre. Tudo bem, natural querermos fazer as melhores escolhas, faz parte da nossa racionalidade. O problema é que as opções hoje são tantas que tem até gente ficando deprimida na pressão de fazer a escolha certa. O que nos leva a pergunta: será bom mesmo termos esse excesso de opções para tudo? A realidade é que a maioria das pessoas não sabe lidar bem com tantas alternativas, e imagino que o livro fale exatamente sobre isso.

Pense bem: quantos canais de televisão você tem na sua casa? Você já se pegou inquieto com um controle remoto, trocando de canal incessantemente procurando o melhor programa? E um ipod com um milhão de músicas, que faz a gente pular de faixa em faixa até encontrarmos a ideal para um determinado momento? E com uma máquina digital, deletando e tirando a mesma foto que nem um maluco até pegar a melhor? Se você já passou por qualquer dessas situações sabe do que estou falando.

E o pior: isso acontece com tudo, em todos os campos da nossa vida. Quando estamos em um emprego ficamos pensando “Será que eu conseguiria alguma coisa melhor?”, quando estamos em um namoro pensamos “Será que eu conseguiria uma pessoa melhor?”. As pessoas acabam ficando cada vez mais ansiosas ou, pior, acabam ficando sem nada. É ótimo e até saudável ter ambições, mas em um sentido de melhorar a sua satisfação, tendo cuidado para não entrar num modo de infelicidade contínua ou paralisia na impossibilidade de fazer a escolha.

Para organizar o pensamento, o autor do livro pontua as razões para “mais ser menos”, explicando porque talvez ficaríamos mais felizes com nossas escolhas se não tivéssemos que escolhê-las entre tantas. São elas:

Arrependimento e arrependimento antecipado

Quando se tem muitas opções, não importa a escolhida, é fácil imaginar que você poderia estar mais satisfeito se tivesse escolhido alguma das outras opções. O fato de ter muitas alternativas potencializa a chance de você se arrepender da escolha que fez.

 

Custo de Oportunidade

A cada escolha que fizemos deixamos de ganhar os benefícios das outras opções. Quando elas são muitas, esse sentimento de “não-ganho” para cada alternativa rejeitada se soma, diminuindo a satisfação.

Aumento de expectativa

Quanto sabemos de todas as propriedades extras de cada alternativa e de todas as potencialidades da nossa escolha, a expectativa inevitavelmente aumenta. Por vezes você nem precisa de tantas coisas, mas só de saber que elas existem elas acabam entrando na lista do que você espera. Quão maior a expectativa, muito provavelmente maior será a decepção.

Aumento de Expectativa

 

Sentimento de culpa

Quando não existem tantas opções, a culpa da nossa má-escolha não é nossa,  mas do mundo. Não foi nos oferecido tanto. Mas quando existem muitas alternativas e acreditamos que uma delas seria exatamente o que estávamos esperando, a má-escolha passa a ser culpa nossa.

 

***

Pensando nisso tudo, sinto que a cada dia estou “limitando” minhas alternativas constantemente para não cair nesse ciclo vicioso de aumento de ansiedade. Até porque tenho ficado com muita preguiça de ter que escolher entre tantas coisas. Minha principal regra é: foco no que me satisfaz. Eu fico prestando atenção nas coisas que eu faço, o que como, para onde eu saio, trabalhos que me satisfazem, fico fazendo essa avaliação e depois caio de cabeça no que percebi que gostei. Não fico insistindo muito tentando achar A melhor alternativa. Tá bom? Ótimo! Escolhi até um símbolo para esse comportamento: agora tenho um armário com uma porta só. Todo mundo fica reclamando que tem pouco espaço para roupa, então eu resolvi ir no caminho contrário, peguei o menor armário possível. Agora eu só mantenho comigo o que dá para colocar nesse armário. Vou te dizer, estou há um ano nesse esquema e estou me sentindo ótimo. Fiz a mesma coisa com mala, agora só viajo com uma pequena. Inverti o ditado, e agora sigo no “Melhor faltar que sobrar”.

Algumas pessoas estranham. Falam que ir sempre nos mesmos restaurantes e pedir os mesmos pratos é coisa de velho. Percebem que eu estou sempre com as mesmas roupas. Que eu só saio com as mesmas pessoas. Por que eu faço isso? Simplesmente porque eu não quero perder tanto tempo. Você perde tempo antes da escolha, considerando todas as possibilidades, e perde tempo depois, pensando e repensando se você fez mesmo a melhor alternativa. Preguiça… Como o Barry lá fala: “Segredo da felicidade? Diminua suas expectativas.”. Parece frio, mas as pessoas que pensam assim são as que mais curtem.

Veja a palestra do cara que vale a pena: