Me lembro que costumava comparar o teor dos textos jornalÃsticos daqui com o que eu lia nos jornais ingleses enquanto morava em Londres (em 2006). Me parecia que os jornais de lá destacavam pontos mais relevantes dos assuntos abordados que os nossos jornais. Por exemplo, quando falavam da abertura de alguma estação nova de metrô eles sempre falavam de coisas como “revitalização econômica da área X” e “Y vagas de trabalho serão criadas devido à nova estação”. Aqui a notÃcia era do tipo “X azulejos foram utilizados na nova estação” e “a construção atinge Y metros de profundidade”.  Sei lá, tinha a impressão que muitas vezes nossos jornais destacavam pontos completamente inúteis das notÃcias.
Mas neste final de semana vi uma coisa que contraria o que eu pensava. Saiu um artigo na última Economist falando da economia do tráfico de drogas no Rio, e na Folha de hoje saÃram algumas matérias no mesmo tom. Achei legal. Posso estar errado, mas me parece que estamos ficando mais sofisticados na abordagem de notÃcias.
Alguns pontos interessantes que ambas publicações levantaram:
- Geralmente o tráfico de drogas de uma grande cidade é dominado por uma única gangue, situação de certa forma mais “gerenciável” para o Estado. No Rio existem três grandes gangues competindo por espaço (Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigo dos Amigos);
- A classe média carioca está indo menos aos morros para comprar drogas (por causa do aumento da violência nas favelas, do uso de drogas sintéticas como ecstasy e do tráfico operado pela própria classe média). Por isso as gangues estão precisando brigar mais pelos espaços consumidores que restam, no caso os próprios morros;
- Os traficantes do Rio hoje estão operando próximo ao seu custo de “manutenção”, isto é, as margens de lucros estão ficando menores;
- As diferenças de remuneração entre os diferentes trabalhadores do tráfico é bem menor que a diferença média no mercado de trabalho brasileiro. Ironicamente os salários do tráfico são mais “igualitários”.
Achei interessante ver a abordagem de um jornal brasileiro parecida com a de uma revista como a Economist. Como disse, tinha a impressão que antes os nossos jornais falavam apenas de quantas pessoas morreram, quantos tiros foram disparados e esse tipo de coisa. Entender a lógica e a economia por trás do negócio nos ajudará a tomar decisões mais racionais para combater o problema.
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Infelizmente não posso colocar links para as notÃcias. A Economist agora está deixando apenas assinantes da revista acessarem as notÃcias da edição corrente, e a Folha também pede senha (o máximo que consegui foi colocar aqui o infográfico que saiu na Folha, em péssima resolução, mas nem sei se eu poderia fazer isso). Foi mal…
Aliás, uma coisa que ainda temos que melhorar são nossos sites. O site da Economist é super limpo, direto, fácil de ler e ainda abre espaço para discussão em todas as notÃcias. Na notÃcia sobre o tráfico no Rio, por exemplo, o leitor que se identifica como “campinas sp”  postou o seguinte comentário:
the net profit of 8% per year is very low and almost close to govern Selic, value where anyone can borrow money to govern without any risk. Drug is not exclusively a health problem, but police problem too. The key factor is the federal govern is unable to watch the Brazil border with Bolivia, from the cocaine comes, and from Paraguai, from arms come.What a nightmare for Brazil youngers parents.”
Legal, né? Enquanto isso, o site da Folha é péssimo, muito ruim para ler as notÃcias e ainda por cima não reproduz todo o conteúdo do jornal impresso (como os gráficos por exemplo). Bom, já que estamos nos sofisticando na mensagem, espero que em breve iremos nos sofisticar no meio também :)











você voltou! que bom!!!
Aos poucos :)
Além do pensamento visual, o pensamento textual também está muito bom!