"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho
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A gente pode até não ter o crescimento louco da China, a indústria de tecnologia da Índia ou o petróleo da Rússia. Mas fala sério, acho que somos o mais cool dos BRIC’s.

Vocês conseguem imaginar algum deles fazendo uma novela sobre nós? Ou sobre outros que não eles mesmos? Duvido…

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prado3

O Google (sempre ele…) lançou um novo projeto semana passada. Agora é possível “navegar” por 14 pinturas do Museu do Prado, através do seu software Google Earth. O grande lance do serviço é que a resolução das imagens é de 14.000 milhões de pixels, equivalente a um nível de detalhe 1.400 vezes maior que o de fotos tirada por uma câmera de 10 megapixels. Isso permite impressionantes zooms em cada tela, uma experiência impossível mesmo quando vamos no museu propriamente dito. Assista abaixo ao making-off (2:55s):

No Financial Times saiu um artigo que achei meio bobo falando sobre isso. O colunista Christopher Caldwell, empolgado com o projeto, tenta explicar porque existem galerias de arte, revendo avanços tecnológicos como esse oferecido pelo Google. Me pareceu que ele não acha tão fundamental assim ver as telas originais.

Everyone involved with the project insists that you still have to go to the Prado if you want to see these paintings properly. “There is no substitute for the direct experience of the work,” says Miguel Zugaza, director of the Prado.

Why not? Similar arguments made about the theatre almost a century ago did not stop the cinema from supplanting it. The physicality of a painting might be missed, but not that much. Paintings are flat.”

No último parágrafo ele diz o seguinte:

Should there be museums? Of course. But if we subject them to the same hard-headed de-mystification to which we subject, say, fox hunting, men’s clubs and smoking, and if we exclude social, traditional, moral and mystical justifications as somehow illegitimate, we will find it hard to make a case for them. Art museums will join the list of institutions – newspapers, for example – that are withering in the hot light of information technology, no matter how indispensable to civilised life they may once have seemed.”

Sinceramente… Comparar galeria de arte com caça esportiva e strip-bars é um pouco absurdo, né? “Mystical justifications”? Talvez eu seja suspeito porque gosto de ir a museus, mas não acho que quem vá à exposições vá substituir esse costume pelo Google. Existem basicamente dois tipos de pessoas que vão à galerias: as que vão por turismo e as que vão por interesse artístico. Não acredito que algum dos dois grupos vá trocar essa experiência por uma tela de computador.

De qualquer forma ficar comparando as duas experiências é uma besteira. Elas não deveriam ser concorrentes, mas sim complementares. Fiz um curso em Londres sobre “Empreendimentos para Indústria Criativa” e tínhamos uma colega russa na turma que era responsável por um projeto muito legal. Ela estava instalando sensores abaixo dos nomes das obras em alguns museus, ativados por bluetooth dos celulares dos visitantes. As pessoas poderiam se cadastrar nos sites dos museus e, ao visitarem alguma exposição nesses espaços, poderiam selecionar as obras de maior interesse através de seus celulares. Na mesma hora informações importantes relacionadas a essas obras apareceriam tanto nas telas de seus aparelhos como em suas caixas de email. Pintores relacionados, contexto histórico, outras exposições do artista na cidade e coisas do gênero. Às vezes não queremos fazer anotações enquanto estamos em um museu, mas também não gostaríamos de perder informações relacionadas às obras. O projeto da menina russa contornaria isso. Eu achei genial.

Imagino que essa seja uma das coisas mais interessantes em relação à tecnologia. Usar como apoio e expansão da experiência das atividades que nos dão prazer, ou pelo menos nos dar mais tempo para curti-las. Uma coisa não anula a outra.

Gostei muito do serviço do Google. Já estou imaginando a utilização dele em mesas com touch-screen no meio da sala. Provavelmente vamos comprar menos catálogos de exposições, mas não tenho dúvida que vamos continuar indo a exposições. Simples assim. :)

Visite o site do serviço

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akinator

Mercado em crise, conflitos na Faixa de Gaza, crise energética entre Rússia e União Européia… Sei que tem um monte de problemas sérios acontecendo, então pode ser que o tema desse post vá parecer um pouco bobo para o momento. Mas está sendo mais forte que eu… Tenho que falar…

AKINATOR!!! :)

E não sou só eu que estou pensando nisso. Olhem abaixo a tendência de busca dos últimos 30 dias no Google Brasil para o site do jogo, contra os termos “Gaza”, “Russia” e “Crise”. 

tendencias

Na boa, quem não conhece ainda por favor entre agora e jogue, se não talvez você não entenda minha embasbacação. Basicamente o Akinator é um jogo “Perfil” moderno: você pensa em uma pessoa (famosa de preferência), o site te faz até 20 perguntas e, a partir das suas respostas, descobre o nome que você pensou. Falando assim parece idiota, mas o índice de acertos do gênio é bizarramente alto.

Decidi escrever sobre o Akinator aqui porque, além do troço ser muito divertido, ainda é inteligente pra caramba. Exemplo perfeito de inteligência coletiva bem aplicada à abrangência da internet. O site tem por trás um algoritmo que o deixa mais inteligente a cada jogo, tanto quando acerta como quando erra. Quando ele adivinha corretamente as perguntas utilizadas se reforçam para determinada pessoa, quando ele não acerta ele te pergunta em quem você estava pensando. Nessa ele fica mais inteligente ainda, pois adiciona uma nova pessoa à sua base de dados. Como o esquema é engraçado cada vez mais gente joga, consequentemente mais rápido ele aprende, e o fenômeno está criado.

ciclo_akinator

Agora imaginem no potencial dessa idéia: um monte de gente alimentando bases de dados com seu próprio conhecimento, por livre e espontânea vontade, simplesmente porque está se divertindo enquanto faz isso.

Bem… Já pensaram nisso :) E a tendência está cada vez mais forte. Abaixo listo alguns sites onde a idéia está sendo explorada, vocês verão que o movimento está muito mais avançado do que imaginaríamos.

FOLDit :: Solve Puzzles For Science
O FOLDit é uma espécie de “Tetris” moderno, que está ajudando a desvendar um dos principais desafios da biotecnologia: a lógica por trás da formação de proteínas. Os jogadores do FOLDit, ao criarem virtualmente novas cadeias protéicas, na verdade estão apoiando cientistas no desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas. Com os resultados desse projeto já foram publicados diversos artigos nas revistas Nature e Science.

GWAP :: Games With a Purpose
O lema do GWAP é ousado: ajude o mundo enquanto você joga. O site potencializa a idéia de tags e segmentação da internet, observando padrões no nosso comportamento que podem ajudar na organização das informações espalhadas pela web. O jogo mais famoso deles, o ESP, rotulou mais de 50 milhões de fotos com palavras-chaves, depois deu origem à própria ferramenta do Google que está ajudando a tagear imagens da internet. Os cálculos do Google podem ranquear textos, mas não podem dizer o conteúdo de uma foto ou de um vídeo. Nossos olhos podem, e essas ferramentas se utilizam disso.

reCAPTCHA
Esse é sensacional. Você já viu aquelas palavras distorcidas que aparecem em alguns sites quando estamos confirmando uma operação, como um cadastro por exemplo? Pois bem, essas imagens com as palavras tortas são chamadas de “captchas”. Esses sites as utilizam porque computadores espiões não conseguem ler esse texto, então quando você responde corretamente você prova ao sistema que é humano. O reCAPTCHA utiliza esse recurso para identificar fragmentos de textos em manuscritos antigos que estão sendo digitalizados, mas que não foram reconhecidos pelo computador por estarem muito distorcidos. Ele coloca esse código junto com outro captcha real em formulários de cadastro espalhados pela internet. A segunda imagem seria o verdadeiro “teste de humanidade”. Ao decifrar corretamente as duas palavras para confirmar a operação você prova que é humano e ao mesmo tempo ajuda a digitalizar o tal manuscrito, sem nem se dar conta. O sistema já ajudou a transcrever mais de 1 bilhão de palavras, e está sendo utilizado agora para digitalizar 130 anos de edições antigas do The New York Times.

Fala sério… Esse mundo está ficando louco. Mas eu me amarro nessa idéia :)

Da próxima vez que você ficar que nem um maluco jogando no Akinator não sinta-se tão culpado. Pense que você está ajudando na disseminação da idéia de inteligência coletiva aplicada a jogos e serviços na internet. :)