"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho

Queria muito escrever sobre uma campanha de marketing que estou vidrado no momento: essa “Pode ser Pepsi?”. Achei tão genial que fico pensando nisso o tempo todo. Para quem não viu segue o vídeo abaixo.

A propaganda toda é em cima de uma situação clássica. Quando chegamos em um restaurante ou bar que não tem Coca-Cola e o diálogo se repete:

Cliente: “Me dá uma Coca por favor.”
Garçom: “Pode ser Pepsi?”
Cliente: “Humm… Tem Guaraná Antarctica?”

Algumas variantes incluem “Tem água tônica?” e “Que sucos você tem?”. Fala sério, quem nunca passou por isso? E acho genial que a Pepsi tenha tido essa sacada e feito uma campanha sobre a situação, tentando convencer quem sempre fala o “Hum… Tem outra coisa?” a arriscar um “Pode ser Pepsi”. Gosto da propaganda principalmente por dois motivos:

1) Auto-deboche

Me amarro em auto-deboche :) Me passa uma sensação de segurança tão grande que penso que só pode ser muito confiante quem consegue se sacanear com tanta espontaneidade. Já penso “Esse cara é bom, não está tentando esconder nada”. E nesse caso a Pepsi vem de cara e assume que muitas vezes não é nem a segunda opção depois da Coca, pelo menos aqui no Brasil. E brinca com o fato. Se eles não tivessem reconhecido isso, ou tivessem percebido mas não quisessem assumir, nunca poderiam fazer uma campanha tentando justamente reverter essa situação. Acho muito bom.

2) Padrão social

Outra questão que me interessa muito são esses padrões sociais que emergem naturalmente, sem ninguém combinar nada. Quem convenceu todo mundo que Guaraná Antarctica é a segunda opção depois da Coca? Por que tem tanta gente usa a conta do Hotmail só para spam? Por que o Facebook virou a rede social “cool” e o Orkut “cafona”? Por que tem coisas que postamos no Twitter mas não postamos no Facebook, e vice-versa? São questões que não foram definidas por ninguém, sem regras estabelecidas, mas que de alguma forma as pessoas se organizam para seguir. Acho muito interessante ficar observando esses padrões.

***

Está tão na minha cabeça esse negócio que fui em um bar ontem e vi que todos os garçons estavam com o broche do “Pode ser Pepsi”. Enchi o saco para eles me darem um, sem sucesso. Mas hoje acabei voltando lá (calma, estou em ritmo de bota-fora do meu emprego atual com a equipe do projeto…) e, depois de mais uma pentelhação, finalmente consegui o broche! :) Abaixo o meu troféu.

Estou até com mais vontade de tomar Pepsi daqui para frente :)

Categorias: Livros, Papo de buteco

Dá para fazer uma retrospectiva do ano pelos livros lidos? Eu acho que dá. A minha retrospectiva de livros para 2010 é:

Livros lidos (e terminados)

Livros iniciados (mas não terminados)

  • The Innovators Dilemma – Clayton Christensen: Eu estava gostanto muito, mas outros livros entraram no caminho. Voltarei a ele em 2011.
  • ReWork – Jason Fried e David Hanson: Acho que não volto a ele não. Sei lá, achei muito igual ao Getting Real.
  • A Sensibilidade do Intelecto – Fayga Ostrower: É genial, mas acho que não estava no clima esse ano. Em 2011 tentarei de novo.
  • A Hora da Geração Digital – Don Tapscott: Hum… É importante, mas achei que lá pro meio fiquei com uma sensação do tipo “Beleza, entendi, já me convenceu”, e não consegui ler o resto.
  • O Relojoeiro Cego – Richard Dawkins: Não sei se sou burro, mas achei muito chata a leitura. Não tive saco de continuar.
  • Flow: The Psychology of Optimal Experience – Mihály Csíkszentmihályi: Fico até com vergonha de dizer que não consegui terminar o livro, porque todo mundo fala tanto dele. Talvez eu não estivesse no clima esse ano, não sei. Mas não estava achando isso tudo que ficam falando. Tentarei voltar a ele em 2011.
  • Fascinate – Sally Hogshead: Foi uma compra de impulso, de promoção de site. Pensei que talvez fosse me ajudar no artigo que escrevi sobre Arquitetura de Escolha, mas achei meio bobo.

Comprados e nem iniciados

O que estou lendo agora

The Moral Animal – Robert Wright: Estou viciado já… De mudar como você olha tudo. Muito provavelmente vai entrar no meu Top 5.

Categorias: Papo de buteco

Corno’s job é aquele trabalho maleta que tem em qualquer lugar e que todo mundo sempre se esquiva. Pode ser a digitalização de uma planilha impressa, a tabulação dos resultados de uma busca no Google, a passagem à mão de informações de uma base de dados para outra. Enfim, todo mundo passa por isso de vez em quando, e todo o projeto tem pelo menos um deles.

Quando um corno’s job aparece a regra geral é: passa pro estagiário.

Pois eu não sei se sou maluco, mas às vezes gosto de pegar o corno’s job para fazer. Ou pelo menos dividir com o pobre coitado que sobrou com o abacaxi. Acho importante pelas seguintes razões:

  • Como todo mundo fica tentando se esquivar às vezes o lance demora muito mais tempo para ficar pronto do que deveria. Quando a gente pega, dá um gás, e quando você vê já está pronto. Você se dá conta que grande parte da demora é mais pelo lenga-lenga de quem está se esquivando do que pela execução propriamente dita.
  • Ao fazer o corno’s job o assunto do qual o projeto se trata entra no sangue muito mais rápido. E a equipe te respeita muito mais quando vê que você fala com autoridade sobre o tema.
  • Tem corno’s jobs de projetos que são a única oportunidade para você ver de verdade as dificuldades de quem vai passar o dia-a-dia trabalhando com aquela informação.
  • Muitas vezes é na repetição do corno’s job que você vai pegar furos da sua análise. Informações que são importantes e você não tinha notado, tarefas que são mais difíceis de fazer do que você tinha imaginado.

Claro que não dá para pegar todos os corno’s jobs que aparecem simplesmente porque não dá tempo. Mas sei lá, queria defender o corno’s job. Tem seu valor.