"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho

Não tenho escrito muito no blog (acho que o último post foi em março…) mas queria falar um pouco do Twitter. Estou impressionado com o negócio. Sério mesmo. Antes estava achando que era mais uma ondinha, mas agora que estou usando de forma útil comecei a valorizar a ferramenta.

Algumas das coisas que aconteceram desde que comecei a usar o Twitter:

1) Praticamente não leio mais feed de rss. Antes de começar a trabalhar dou uma olhada nos tweets que chegaram, vejo os sites e artigos interessantes enviados por quem eu sigo e dou uma navegada rápida pelas indicações. Tenho gostado mais do resultado final do que quando eu seguia feeds;

2) Participei de um congresso no início de outubro em São Paulo, apresentando um sistema que desenvolvemos no meu trabalho no ano passado. O pessoal do congresso estava twittando todas as palestras em tempo real. Na semana seguinte uma empresa ligou para o meu trabalho interessada em comprar o sistema, depois ter lido no Twitter os comentários sobre a apresentação.

Fala sério…

E o potencial desse acompanhamento real é um absurdo, a ser escrito por muitos e muitos outros posts. Não sei se será necessariamente pelo Twitter, mas definitivamente isso é uma tendência. Eu próprio já me vi acompanhando um congresso pela ferramenta, imagina quando estivermos transmitindo em tempo real na internet os vídeos que capturamos com nossos celulares? E quando um site conseguir integrar esses posts de texto, som e vídeo ao vivo para um determinado evento? O mundo acompanhado em tempo real pelos olhos da inteligência coletiva.

Meio assustador, mas acho maneiro :)

Para quem ainda está perdido segue link explicando o que são os tweets e o outro para baixar um programinha bom para usar a ferramenta (o Twirl).

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Fiquei com a vontade bastante original de falar sobre o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” (Slumdog Millionaire). Sarcasmo no “original” porque, depois da lavada de 8 Oscars desse ano, acho que ainda vão falar muito nesse filme por aqui. Mesmo assim queria falar sobre uma coisa que está me deixando encucado.

Tem uma sequência de idéias que está abrindo praticamente todos as matérias sobre o filme: “Filmado em uma favela de Mumbai + atores locais + canções indianas + diretor inglês + verba restrita”. A imprensa está dizendo que essa combinação parece definir as “novas” diretrizes para o cinema mundial: melhor utilização de recursos e produção globalizada.

Tudo muito bonito, mas confesso que depois de ver o filme fiquei com algumas dúvidas.

Dúvida 1) O cinema mundial está realmente ficando mais “global” ou simplesmente mais “americano”?

Tenho pensado nessa questão. Inicialmente parece que seria mais provável a primeira opção, com o cinema ficando mais global. Cada vez mais blockbusters americanos têm cara de cinema independente ou europeu (Brilho Eterno…, Onde os Fracos Não Têm Vez, Casamento de Rachel…) e mais filmes “alternativos” caem no gosto do povão (Quem Quer Ser um Milionário, Cidade de Deus, E Sua Mãe Também…). Nesse caso seria todo mundo confluindo para um ponto.
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Mas saí do “Quem Quer Ser Um Milionário” com essa dúvida. Me desculpe quem discorda, mas o filme não é lá um marco. É divertido, prazeroso, deixa a gente pra cima, mas é só. No geral o filme é bem óbvio, sentimental, não rola em nenhum momento aquilo de você levantar os olhos e pensar “Genial”. Não é genial. É pipoca. Ou “feel-good film”, como o pôster gringo do filme diz. Aquela fórmula boa para deixar a gente entretido durante 1.30h no cinema, com ritmo agradável, visual moderno e trilha sonora empolgante. Resumindo: bem americano. E aí vamos para a segunda opção: talvez o cinema mundial não esteja ficando mais “global”, e sim mais “americano”. Ou pelo menos seria o caminho que “Quem Quer Ser…” está indicando.
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Dúvida 2) Seria o entretenimento “americano” não apenas americano, mas global?

Isso eu já penso há algum tempo. Os americanos são mestres do pop, do entretenimento, eles sabem como tocar o coletivo. Do produtor da estrela de hip-hop ao escritor do seriado de comédia, eles sabem a fórmula. Não vejo isso como pejorativo, pelo contrário, é uma ciência. Do mesmo jeito que um chef de cozinha se dedica a vida inteira para entender a percepção do paladar, os efeitos da combinação de ingredientes. Os mestres do entretenimento sabem que peças juntar e em que sequência para nos satisfazer.

Mas uma dúvida que tenho é se os americanos descobriram a fórmula que atinge o ser-humano, independente da nacionalidade, ou se nós nos adaptamos ao gosto deles por causa da força econômica do país. 

Os puristas vão me odiar agora, mas acho que a resposta dessa segunda dúvida seria que os americanos entenderam o que satisfaz o ser-humano como um todo, pelo menos no sentido do entretenimento. Não acho que a dominação cultural deles seja apenas devido à dominação econômica, mas à técnica que eles chegaram na construção do pop. Acho que no fundo não somos tão sofisticados assim, e o que é envolvente para um povo tem grande chance de ser para os outros. Claro que essa é apenas minha opinião, posso estar completamente errado.

Mas… digamos que eu esteja certo. Então isso seria a resposta para a primeira questão também. Afinal não existiria a dúvida “americano ou global?”, pois as duas opções significariam a mesma coisa. Quando o cinema do resto do mundo fica mais parecido com o americano na verdade ele está se tornando mais adaptado para o gosto do “ser-humano médio”, independente de sua nacionalidade. Exatamente o caso do “Quem Quer Ser…”.

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Dúvida 3) Mas essa confluência para um ponto é boa?

Essa é uma discussão filosófica. Seria saudável o cinemão de cada país migrar para um mesmo estilo de produção mundial? A homogeneidade não levaria a uma inevitável mediocrização do cinema?

Intuitivamente a resposta é sim. Mas eu discordo. Esse é um processo natural, à medida que as audiências têm acesso ao mesmo material devido aos avanços dos meios de comunicação. Do mesmo jeito que grande parte de um colégio sabe as músicas da banda dos amigos, que grande parte de uma cidade lota os bares da moda, que grande parte de uma país acompanha a novela do momento. O gosto da “massa” sempre vai existir, em todas esferas da sociedade. E em cada um desses níveis existirão os nichos, basta lembrar dos rebeldes do colégio que odiavam a banda dos amigos. A diferença é que a possibilidade de massa está subindo mais um nível, agora mundial. Mas isso não vai levar à mediocrização, simplesmente porque os nichos continuarão existindo. Na verdade acho que ocorrerá o contrário, visto que os nichos, normalmente isolados uns dos outros, agora terão um público maior e poderão interagir, produzindo mais ainda.

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Concluindo o blábláblá e para fechar meu ponto segue o trailer do filme, com direito à trilha sonora dos Ting Tings – para quem não conhece uma banda metida à alternativa que está na moda nos EUA hoje. E que, por coincidência, também tinha uma faixa na trilha da novela “A Favorita”. Hum… :)

Escrevi um post há um tempo sobre o programa “Lugar Incomum”, apresentado pela Didi Wagner no Multishow e que tem Nova York como tema. Falei como achava importante programas como esse, que mostram um pouco desses “pólos criativos” ao redor do mundo.

Pois um amigo me mandou um vídeo agora que passa total esse clima, filmado em Londres há duas semanas. Não é qualquer cidade que, no meio de um momento como o que estamos vivendo, tem o espírito de organizar uma coisa desse tipo (lembrando que a Inglaterra é um dos países que está mais sentindo o impacto da crise mundial).

Idéias como essa que levam pessoas criativas a pensar “É, vale a pena viver numa cidade assim”.