"Be like a duck. Remain calm on the surface and paddle like hell underneath." Michael Caine

Network

Li um livro interessante sobre redes há uns 2 meses (Linked, Albert-László Barabási), e achei oportuno falar sobre o assunto aqui no blog depois desse apagão na semana passada.

A imprensa ainda está discutindo os reais motivos do incidente (mau tempo? falta de investimentos?). Eu não vou arriscar qual a razão, mas o que todo mundo já sabe é que o acontecido foi consequência de um efeito em cascata, em que diferentes transmissores foram derrubando um ao outro em sequência, até apagar 18 estados do país.

Por que isso? Porque nossas distribuição de eletricidade é altamente interligada, com hubs “conectores” que ajudam os diversos pontos da rede a se comunicar mas, ao mesmo tempo, acabam configurando em uma fragilidade do sistema. Se um hub é derrubado muitos pontos da cadeia sofrem.

O que é interessante do Linked é que ele fala exatamente sobre isso, mas usando um monte de exemplos diferentes. Inclusive distribuição de energia elétrica, que volta e meia dá cano lá nos Estados Unidos. Além de eletricidade, o livro estuda as características de redes aplicadas a economia, relacionamentos, vírus, células, internet,  cientistas, atores de cinema e por aí vai. E caso a caso o autor vai mostrando que as premissas das redes se repetem, nos fazendo ver o mundo com outros olhos.

Recomento a leitura, mas já digo aqui alguns dos pontos que mais me chamaram atenção no livro:

  • Temos que aproveitar nossos laços “fracos” com hubs

Como as pessoas chegam mais frequentemente a seus novos empregos: através de indicação de amigos próximos ou por meio de “conhecidos”? Apesar de não ser óbvio (pelo menos para mim), pesquisas indicam que a segunda alternativa é a mais forte na busca por novos empregos. Isso porque nossos amigos normalmente circulam pelos mesmos locais que nós, convivendo com as mesmas pessoas de nosso círculo. O conjunto de conhecimento deles (como por exemplo “oportunidades de emprego”) acaba sendo próximo ao nosso. Mas os “conhecidos”, aquelas pessoas com quem falamos de vez em quando mas não são tão íntimas assim, nos abrem um mundo novo de possibilidades, em meios que não circulamos tão frequentemente. Por isso existe uma chance maior desses contatos “fracos”, e não nossos amigos mais próximos, saberem daquela oportunidade de emprego que estamos procurando.

Week ties play a crucial role in our abilitiy to communicate with the outside world. Often our close friends can offer us little help in finding a job. They move in the same circles we do and are inevitably exposed to the same information. To get new information, we have to activate our weak ties.”

  • Os hubs são críticos para a sustentação de uma rede

Justamente por conta disso, é importante que existam os hubs: pontos da cadeia com mais conexões que a média. É natural que eles emerjam nas redes  – o buscador com algoritmo mais inteligente, o funcionário mais sociável na empresa, a represa mais propícia para geração de eletricidade, a empresa de processos mais eficientes – e eles permitem que os pontos distantes se comuniquem, mesmo que não estejam diretamente ligados.

Even a few extra links are sufficiente to drastically decrease the average separation between nodes…  We can afford to be very provincial in choosing our friends, as long as a small fraction of the population has some long-range links. Huge networks do not need  to be full of random links to display small world features. A few such links will do the job.”

  • Hubs seguem pareto

Apesar de ser normal o surgimento de hubs, a quantidade deles em relação ao total tende a respeitar uma proporção de pareto, com apenas 20% dos nós sendo responsável pela interligação de 80% da rede. Ou seja, nós com poucas ligações são a grande maioria, mas eles continuam interligados justamente por causa dos hubs.

In most real networks the majority of nodes have only a few links and these numerous tiny nodes coexist with a few big hubs, nodes with a anomalously high number of links. The few links connecting the smaller nodes to each other are not sufficiente to ensure that the network is fully connected. This function is secured by the relatively rare hubs that keep the real networks from falling apart.”

  • A existência dos hubs é uma virtude das redes, mas também uma fragilidade inevitável

Esses nós altamente conectados conferem à rede um alto grau de tolerância contra falhas. Seguindo pareto, poderíamos remover até 80% dos nós, se os hubs continuarem lá a rede não entrará em colapso. Podemos até perder algum dos hubs, que os outros vão continuar sustentando o sistema. Mas se houver um ataque simultâneo em diversos hubs as consequências podem ser graves.

Um exemplo de perda de hub foi a queda do Lehman Brothers no ano passado, que afetou toda a rede (economia) mas não a colapsou, porque outros hubs continuram de pé (Goldman Sachs,  JPMorgan, Bank of America…). Já o apagão foi um exemplo de vários hubs caindo ao mesmo tempo (se não me engano foram 5 linhas importantes de distribuição).

Toda rede configurada dessa maneira (muitos nós fracos + alguns hubs) possui invevitavelmente um grau de vulnerabilidade. Isso porque os hubs podem cair. Ou seja: esperar que uma rede elétrica interconectada seja infalível é impossível.

Such vulnerability to atack is an inherent property of scale-free networks… Disable a few of the hubs and a scale-free network will fall to pieces in no time.”

  • Os hubs não geram inovação, mas são early-adopters

Normalmente as inovações não são criadas nos hubs, que talvez estejam muito ocupados fazendo suas conexões :) Mas esses nós altamente conectados acabam absorvendo as inovações rapidamente porque estão em contato com os seus criadores. Uma vez que a inovação é adotada por um hub, ela acaba passando para o resto dos nós mais fracos da cadeia.

Innovations spread from innovators to hubs. The hubs in turn send the information out along their numerous links, reaching most people within a given social or professional network.”

Moral da história?

Aceite que os hubs surgem, eles sustentarão sua rede e ligarão nós fracos. Se os hubs forem positivos (ex: fontes de energia elétrica) procure uma quantidade ótima deles: um número muito baixo deixará a rede frágil, muitos hubs inibirão a inovação.  Cuide de seus hubs positivos, a queda de vários ao mesmo tempo pode colapsar a rede.

Se os hubs forem negativos (ex: pessoas infectadas por vírus), foque sua atenção neles. A retorno coletivo para a rede é maior quando os hubs são tratados.

Engraçado como isso se aplica a muita coisa. É bom ter um grupo de pessoas muito conectadas em um ambiente de trabalho (apenas um hub pode fazer um estrago quando sai da empresa). É bom não depender de apenas uma grande empresa na economia do país (por esse aspecto acho que estamos indo bem, com Petrobrás começando a ter como companhia a Vale, Gerdau, Unibanco-Itaú, Embraer, JBS, Votorantim…). É bom investirmos em hubs de energia espalhados pelo país (Tucuruí, Jirau…). É bom identificarmos uma erva-daninha no jardim (o hub negativo ataca os nós fracos).

E não dá para ficar na utopia de só contar com os nós fracos da cauda longa. Mesmo com internet, avanços em logística e redução de custos de produção, não seria muito estratégico contar apenas com uma infinidade de bancos menores, geração de energia difusa, empresas pequenas, profissionais independentes e esse tipo de coisa. Não dá para lutar muito contra a existência dos “too big to fail”, eles continuarão por aí, é natural das redes que eles surjam. O próprio Chris Andersonadmitiu isso. Os hubs existem, continuarão existindo, e é importante que sejam gerenciados para o sucesso coletivo da rede.

Na minha casa a gente tem uma assinatura da Piauí. Confesso que acho a revista bem chata, mas a edição desse mês tem um texto muito bom falando sobre a Cidade da Música, o prédio polêmico que estão construindo aqui no Rio e que, de acordo com o site da prefeitura, vai abrigar “a maior sala de concertos de orquestras sinfônicas e óperas da América Latina”.

O projeto é polêmico por diversos motivos, mas acho que as principais reclamações são:

  • O custo total já está muito maior que o previsto inicialmente (estimaram R$80 mi de investimento, já passou de R$450mi);
  • Essa grana, que representa 2% do orçamento total do Município, poderia ter sido investida em demandas mais “urgentes” para a cidade, como projetos de saúde e educação;
  • Já existe um atraso de dois anos em relação à data de inauguração original (no início anunciaram que seria em 2004);
  • O design foi feito por um arquiteto francês, Christian de Portzamparc, e não por um brasileiro.

As críticas habituais… Mas o texto da Piauí rebate isso tudo e defende a obra, por isso achei interessante. A frase que abre o artigo já é legal:

Mesmo com todos os ataques e denúncias que a envolvem, a Cidade da Música feita por Portzamparc no Rio é a mais relevante obra pública construída no Brasil desde Brasília.”

Confesso que não pesquisei profundamente como está a questão das suspeitas de superfaturamento, se já chegaram a alguma conclusão ou não, mas até agora eu também apóio totalmente a iniciativa do projeto. Gosto muito de arquitetura, acredito na função econômica que a cultura tem para qualquer cidade e acho que um prédio como esse será um ativo muito valioso para nós cariocas.

Então pensei em aproveitar o gancho para falar de um livro que que está no Top 10 de tudo que li até hoje: Civilização, de Kenneth Clark (Civilisation no original). Bem resumidamente trata-se da organização textual do documentário que Clark produziu para a BBC em 1969, que traçava um paralelo entre o desenvolvimento da civilização ocidental e história da arte. O livro é impressionante, não dá para falar de tudo aqui, mas tem uma idéia que permeia todo o texto que é muito útil quando pensamos na Cidade da Música.

O autor assume que para o avanço da civilização é necessário que as pessoas tenham confiança:

Civilisation requires confidence – confidence in the society in which one lives, belief in its philosophy, belief in its laws, and confidence in one’s mental powers.”

Na hora de definir “civilização” ele continua:

Civilisation means something more than energy and will and creative power … it means a sense of permanence.”

Nesse momento ele começa a entrar na importância da arquitetura para um povo, nos mostrando que é através dela que conquistamos esse senso de permanência e que, conseqüentemente, alimentamos nossa confiança enquanto comunidade. Não é à toa que a China está gastando os tubos construindo megas-prédios pelo país inteiro, e que vemos cidades patrocinando “pacotões” de construções em determinados períodos para aumentar a moral de seus moradores. Vimos isso na segunda metade do século passado em Paris, com as “Grande Obras” do Miterrand (dentre elas a ampliação do Louvre, o La Defense, o museu d’Orsay e a Bibliothèque de France) e em Londres, com as “Obras do Milênio” do Blair (o Millenium Dome, a Millenium Bridge e o Millenium Wheel/London Eye).

Então o pensamento de “temos que gastar o $ primeiro com o urgente, como saúde e educação, e só depois em ‘luxos’ como arquitetura” talvez seja limitado, pois não entende que o investimento certo em arquitetura pode solidificar a auto-estima necessária para que um povo produza mais e, como resultado, gere mais valor que poderá ser aplicado nessas questões básicas.

Comecei a catar dados de algumas construções que foram inauguradas ao redor do mundo há poucos anos, para comparar com o nosso caso. Ver se o valor, o tempo de construção e a nacionalidade do arquiteto estão fora da realidade, e encontrei mais ou menos o seguinte:

CIDADE DA MÚSICA
Local: Rio de Janeiro
Investimento: R$460mi
Tempo de construção: 6 anos
Arquiteto: Christian de Portzamparc (França)
 
TATE MODERN
Local: Londres / Inglaterra
Investimento: R$620mi
Tempo de reforma: 8 anos
Arquiteto: Escritório Herzog & de Meuron (Suíça)
CASA DA MUSICA
Local: Porto / Portugal
Investimento: R$300mi
Tempo de construção: 5 anos
Arquiteto: Rem Koolhaas (Holanda)
 
NINHO DO PÁSSARO
Local: Pequim, China
Investimento: R$1bi
Tempo de construção: 5 anos
Arquiteto: Escritório Herzog & de Meuron (Suíça)
 
JEWISH MUSEUM
Local: Berlim, Alemanha
Investimento: R$130mi
Tempo de construção: 8 anos
Arquiteto: Daniel Libeskind (Polônia)
 

Os dados são estimativas que achei em sites de design e notícias, mas dá para ver que o “nosso” projeto não está muito por fora do padrão. Aliás, o planejamento inicial que me parece um pouco irreal, de orçamento de R$80mi e prazo para construção de dois anos. Então pensei o seguinte: será que não chutaram esses valores para baixo para reduzirem o risco do projeto ser descartado, como aconteceu com o Guggenheim?

Se foi erro ou se foi “lapso estratégico”, para ser sincero, não me importa muito. Enquanto está tudo dentro do padrão que vemos pelo mundo acho que o projeto é válido. Sei que daqui a 10 anos vou passar pelo prédio e pensar “Que bom ter uma construção assim na cidade”, da mesma forma que me sinto quando passo pelo MAM.

Agora é ficar na torcida para que ele seja inaugurado logo :)

Categorias: Economia, Livros

Acho que esse post vai ser um pouco polêmico :)

Dentro das inconstâncias do mercado na semana passada um fato chamou atenção da imprensa mundial: Alan Greenspan teria admitido parte da culpa pela crise financeira que estamos vivendo. Greenspan foi o diretor do Fed (o Banco Central americano) durante 18 anos, saindo do cargo em 2006. Ele sempre foi defensor da desregulação dos mercados e também foi dos principais responsáveis para que a taxa básica de juros dos EUA ficasse muito baixa durante muito tempo. Essas duas posturas são justamente as críticas feitas ao economista: taxa de juros baixa significa crédito barato, desregulação pode atrapalhar a transparência na avaliação de riscos dos investimentos. Acredita-se que essa combinação de fatores tenha potencializado a criação da bolha hipotecária americana, estopim da crise financeira que acabou se alastrando pelo mundo.

Tudo muito bonito. É bom quando as pessoas admitem erros, né? Mas nesse caso ele falou uma coisa que achei engraçada:

Eu cometi um erro em supor que o interesse das organizações, especialmente dos bancos e de outras empresas, faria com que elas estivessem melhor capacitadas para proteger seus próprios acionistas e suas ações nas empresas.”

Ou seja: no fundo, no fundo quem errou não foi ele, foram “as organizações”, né? A falha dele foi ter, digamos, um excesso de fé na competência dos “bancos e das outras empresas”? E depois ainda dá uma de coitado:

Aqueles de nós que acreditavam que era do interesse das instituições credoras proteger seus acionistas, incluindo eu, estamos incrédulos, em estado de choque.”

A imprensa toda ficou no tom “finalmente ele admitiu seu erro” e coisa e tal. Pois eu, do alto da minha ignorância, acho que ele foi covarde e não admitiu erro coisa nenhuma. O que ele fez foi jogar a batata quente para a mão dos bancos e ainda por cima deu uma facada nas costas do nosso amigo Adam Smith.

INTERESSE-PRÓPRIO

Esse papo de “interesse das organizações” já é falado desde o Riqueza das Nações, o livrão do Adam Smith que deu muitas das bases do sistema capitalista em que vivemos hoje. Uma das idéias centrais do livro diz que as pessoas, como seres racionais, sempre fazem escolhas que maximizem seus retornos. Sem meias palavras: as pessoas agiriam sempre por seus próprios interesses. Mas, de acordo com o pensamento de Smith, a melhor maneira de maximizar os retornos individuais seria crescer o bolo para todo mundo, dessa forma estaríamos involuntariamente ajudando a sociedade enquanto estivéssemos buscando o melhor para nós mesmos. No livro ele usa como exemplo um industrial que investe em sua fábrica para aumentar seus lucros, cunhando a famosa expressão “mão-invisível”:

Na realidade, ele não pretende, normalmente, promover o bem público, nem sabe até que ponto o está a fazer… só está a pensar na sua própria segurança; e, ao dirigir essa indústria de modo que a sua produção adquira o máximo valor, só está a pensar no seu próprio ganho, e, neste como em muitos outros casos, está a ser guiado por uma mão invisível a atingir um fim que não fazia parte das suas intenções.”

Que fim seria atingido que não era parte das intenções do empresário? Não apenas um, mas vários, dentre eles: aumentar a riqueza do país, a arrecadação de impostos pelo governo, o aumento de verba para projetos de infra-estrutura, a quantidade de empregos e o fortalecimento do comércio. O industrial estava na verdade pensando em seus lucros, no seu próprio-interesse, mas conseguiu um monte de outros resultados, aumentando assim o bolo para todos. De acordo com os escritos de Adam Smith, quando cada um de nós age dessa maneira a sociedade avança, o que seria a “mão-invisível” do mercado. Uma organização involuntária do caos de interesses-próprios individuais que acaba resultando no interesse-comum da população.

É por isso que Alan-Greenspan ficou tão “chocado”. Como que os bancos escolheriam investir em papéis podres e emprestar dinheiro para pessoas que obviamente não poderiam pagar? Como os bancos iriam arriscar em retornos de curto prazo sabendo que no longo prazo poderiam quebrar justamente por conta desses riscos? Em suma: como os bancos poderiam ser tão irracionais?

Acho que vou falar uma coisa meio polêmica, mas nesse caso eu defendo os bancos e todo esse pessoal que trabalha no mercado financeiro. E acho covardia do Greenspan mandar esse papo nessa altura do campeonato.

IRRACIONAL, EU?

Já está claro tanto no mercado quanto no meio acadêmico que a racionalidade humana é afetada pelas nossas limitações cognitivas e pela falta de informações relevantes no momento da escolha. Claro que todos somos racionais, ninguém na dúvida entre duas opções vai escolher a que sabe que é a pior. Mas esse é o X da questão: antes da crise as pessoas não sabiam quais seriam as piores escolhas, nem conseguiram avaliar com segurança os riscos. E aí, na minha modesta visão, que está a real falha do Alan-Greenspan.

A falta de regulação, defendida por ele, deu espaço para as tais “inovações” financeiras, pacotes de ativos tão confusos que ninguém sabia direito do que eram formados. Como se você tivesse comprando uma caixa de bombons sem saber quais estavam vindo dentro. Poderia estar recebendo junto do Serenata umas hipotecazinhas desagradáveis. A falta de regulação também abriu espaço para que as agências avaliadoras de riscos por vezes não fossem muito criteriosas. Atenção, isso foi um eufemismo, na verdade elas deram altas bolas foras. Deu no que deu: as agências jurando que certas empresas eram mucho seguras num dia e no dia seguinte as mesmas empresas quase quebrando. Bem, algumas não ficaram no quase e de fato tiveram que fechar suas portas.

E quem que deixou a corda tão frouxa? Tchanã…

Apesar do que o Greespan disse, eu concordo plenamente com a idéia do interesse-próprio e espero que o mundo continue acreditando nela. Até porque quero mesmo que todo mundo se desenvolva o máximo possível para que todos possamos crescer juntos. Quem você acha que produz mais: o cara que tem tesão no que está fazendo ou o outro que está sendo obrigado a fazer alguma coisa pelos outros? Se você quer um trabalho bem feito mostre o retorno que a pessoa terá fazendo aquilo. Não é a toa que até órgãos públicos estão atrelando bônus de acordo com o desempenho de cada funcionário. Fazer o quê se a gente é assim? Uma frase famosa do Riqueza das Nações:

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que devemos esperar o nosso jantar, mas da atenção e do cuidado deles com seus próprios interesses.”

LIDANDO COM NOSSAS LIMITAÇÕES

Mas para não repetir o erro do Greenspan temos que reconhecer que somos falhos. Que nossa racionalidade é limitada pela nossa ignorância. Somos ingênuos e às vezes até maliciosos. O cara que faz de tudo para enrolar no escritório e trabalhar o menos possível, só preocupado em receber seu salário no final do mês, acha que está agindo em nome do próprio-interesse quando na verdade pode estar sabotando o crescimento da empresa e, conseqüentemente, do seu próprio salário. O ditador que só quer explorar as riquezas de um país sem incentivar o crescimento da sua economia na verdade está esgotando sua própria fonte de poder. E, claro, o banco que quer ganhar dinheiro rápido emprestando para um monte de gente sem avaliar os riscos na verdade está construindo sua própria cova devido à inadimplência que provavelmente terá com seus clientes.

Como lidar com nossa ignorância? Pois um livro para economistas de final de semana (como eu) pode dar a dica: O Economista Clandestino (Tim Hartford, The Undercover Economist no original). Sei que a capa e o título fazem parecer que é uma idiotice, mas o autor é jornalista do Financial Times e o livro foi elogiado por gente grande, como Martin Wolf:

“As Tim Hartford demonstrates brilliantly in this enjoyable book, the powerful underlying ideas of economics can, in the hands of the right person, illuminate every aspecto of the world we inhabit.”

Tudo bem que o Martin Wolf também é do Financial Times :), mas o livro é legal mesmo.

No capítulo “Porque países pobres são pobres” o autor explica que as saídas para limitar os impactos negativos das pessoas que perseguem o interesse próprio de uma forma burra ou maliciosa são três: regulações simples mas inteligentes, imprensa atuante e fiscalizadora e oposição democrática aos agentes no poder.

O que faltou ao Greenspan? Na minha observação foram dois desses pontos: o primeiro, mais óbvio, foi ter subestimado excessivamente a importância das regulações. O segundo foi a falta de uma imprensa fiscalizadora. Não que a imprensa americana não seja atuante, mas o cara era considerado um deus por todo o mundo, então ficava até difícil criticar. Os que o faziam eram logo taxados com nomes não muito agradáveis, como Doctor Doom (Doutor Catástrofe). Aliás, o “Doom”, Nouriel Roubini, agora está até na moda, enquanto o mesmo Greenspan está sendo execrado. Irônico, não?

Concluindo, regulação é importante sim para evitar exageros, por isso que o G20 vai ser reunir no mês que vem para pensar novas maneiras de acompanhamento do mercado financeiro global, tudo para deixá-lo mais transparente e com riscos mais controlados. E o Greenspan tinha que deixar ser bundão e falar “Pois é, não regulei como deveria ter regulado.” ou então ficar quieto, sem culpar o pensamento do interesse-próprio. E digo mais: enquanto não tem regulação acho que os bancos têm mais é que continuar atuando como estão mesmo, até forçar um ajuste.

Ops, acho que me exaltei um pouco nesse final. :)

***

(Só uma observação. Ainda acho que o período de desregulação crescente que tivemos dos anos 80 para cá foi importante para a gente, a bagunça ajudou a financiar o crescimento dos países emergentes nesses últimos anos. Ou vocês acham que os países ricos investiriam os tubos em lugares como Dubai, Panamá e Brasil se soubessem o quão arriscado esses investimentos seriam? O mundo está desesperado agora, mas acho que daqui a alguns anos vamos olhar para trás e veremos que essa zona de certa forma foi útil para redistribuir os poderes no planeta. O que não concordo é com a cara de pau do Greenspan, que abandona as próprias crenças só para ficar bem na fita. O tipo de discurso que ele fez na semana passada é um desserviço à sociedade num momento como esse.)

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