"Diga-me com quem andas e eu te direi se vou contigo" Letice Botelho

Estou lendo o “Who’s Your City?“, do Richard Florida. O livro se vende para “classe criativa” com a chamada: How the creative economy is making where to live the most important decision of your life. Confesso que acho meio bobo esse “most important decision”, mas o livro na verdade é um estudo sobre os grande centros urbanos no mundo. Acho esse tópico muito interessante.

Pela metodologia que ele usa para identificar as “mega-regions” do mundo, o livro diz que os 40 maiores pólos são responsáveis por 66% de toda atividade econômica mundial. Em um outro momento ele diz:

National border also have less to do with defining cultural identity. We all know how different two cities can be despite being in the same state or province, much less the same country. (…) The more that two mega-regions-regardless of their physical distance or historical relantioship-have in common finacially, the more likely they are to develop similar social mores, cultural tastes, and even political leanings.

Sei que isso é um pouco forte, mas – do alto da minha ignorância – acho que é real. Quando via os indianos que iam na nossa casa em Pune, com seus super-celulares e comendo na Pizza Hut, quando vi um barzinho metido a cool em Cracóvia chamado Perestroika, quando via como em muitos aspectos o Rio é muito mais parecido com Londres do que com Campos dos Goitacazes (cidade da minha avó), chego a pensar que os grandes pólos urbanos de fato tendem a ficar parecidos. Então penso num novo profissional, um expert da dinâmica dessas “mega-regions”. Afinal elas cobrem quase 70% de toda atividade econômica do planeta. Já devem existir uns caras assim. Emprego maneiro :)

Segue abaixo a apresentação que fiz no último Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação. Vou ver se consigo disponibilizar o áudio também.

Como assunto relacionado, segue o link para o meu primeiro post do blog, justamente sobre Paradoxo da Escolha. Que engraçado, estava falando sobre isso em 2008, e em 2010 volto ao tópico em um congresso. Será que estou ficando repetitivo?

Categorias: Economia

Me lembro que costumava comparar o teor dos textos jornalísticos daqui com o que eu lia nos jornais ingleses enquanto morava em Londres (em 2006). Me parecia que os jornais de lá destacavam pontos mais relevantes dos assuntos abordados que os nossos jornais. Por exemplo, quando falavam da abertura de alguma estação nova de metrô eles sempre falavam de coisas como “revitalização econômica da área X” e “Y vagas de trabalho serão criadas devido à nova estação”. Aqui a notícia era do tipo “X azulejos foram utilizados na nova estação” e “a construção atinge Y metros de profundidade”.  Sei lá, tinha a impressão que muitas vezes nossos jornais destacavam pontos completamente inúteis das notícias.

Mas neste final de semana vi uma coisa que contraria o que eu pensava. Saiu um artigo na última Economist falando da economia do tráfico de drogas no Rio, e na Folha de hoje saíram algumas matérias no mesmo tom. Achei legal. Posso estar errado, mas me parece que estamos ficando mais sofisticados na abordagem de notícias.

Alguns pontos interessantes que ambas publicações levantaram:

  • Geralmente o tráfico de drogas de uma grande cidade é dominado por uma única gangue, situação de certa forma mais “gerenciável” para o Estado. No Rio existem três grandes gangues competindo por espaço (Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigo dos Amigos);
  • A classe média carioca está indo menos aos morros para comprar drogas (por causa do aumento da violência nas favelas, do uso de drogas sintéticas como ecstasy e do tráfico operado pela própria classe média). Por isso as gangues estão precisando brigar mais pelos espaços consumidores que restam, no caso os próprios morros;
  • Os traficantes do Rio hoje estão operando próximo ao seu custo de “manutenção”, isto é, as margens de lucros estão ficando menores;
  • As diferenças de remuneração entre os diferentes trabalhadores do tráfico é bem menor que a diferença média no mercado de trabalho brasileiro. Ironicamente os salários do tráfico são mais “igualitários”.

Achei interessante ver a abordagem de um jornal brasileiro parecida com a de uma revista como a Economist. Como disse, tinha a impressão que antes os nossos jornais falavam apenas de quantas pessoas morreram, quantos tiros foram disparados e esse tipo de coisa. Entender a lógica e a economia por trás do negócio nos ajudará a tomar decisões mais racionais para combater o problema.

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Infelizmente não posso colocar links para as notícias. A Economist agora está deixando apenas assinantes da revista acessarem as notícias da edição corrente, e a Folha também pede senha (o máximo que consegui foi colocar aqui o infográfico que saiu na Folha, em péssima resolução, mas nem sei se eu poderia fazer isso). Foi mal…

Aliás, uma coisa que ainda temos que melhorar são nossos sites. O site da Economist é super limpo, direto, fácil de ler e ainda abre espaço para discussão em todas as notícias. Na notícia sobre o tráfico no Rio, por exemplo, o leitor que se identifica como “campinas sp”  postou o seguinte comentário:

the net profit of 8% per year is very low and almost close to govern Selic, value where anyone can borrow money to govern without any risk. Drug is not exclusively a health problem, but police problem too. The key factor is the federal govern is unable to watch the Brazil border with Bolivia, from the cocaine comes, and from Paraguai, from arms come.What a nightmare for Brazil youngers parents.”

Legal, né? Enquanto isso, o site da Folha é péssimo, muito ruim para ler as notícias e ainda por cima não reproduz todo o conteúdo do jornal impresso (como os gráficos por exemplo). Bom, já que estamos nos sofisticando na mensagem, espero que em breve iremos nos sofisticar no meio também :)