
Acho que esse post vai ser um pouco pedante. Até porque eu não sou muito entendido nesses negócios de arte, apesar de ser apreciador. Sabe peladeiro de fim-de-semana? Que não joga porcaria nenhuma mas acha que sabe alguma coisa? Então, sou eu com arte.
Depois desta rápida contextualizada e pedindo desculpas pelo possÃvel atrevimento que vem a seguir, gostaria de falar do Vik Muniz. Não vou falar muito, apenas estruturar um pensamento que me veio a cabeça nesta semana. Para começar devo dizer que tenho um grande respeito pelo cara. Acho o trabalho dele bem bacana, louvável essa iniciativa que ele tem com um monte de projeto social, legal que ele coloca um monte de gente dentro do museu. Acho isso tudo ótimo. Mas, enquanto apreciador de arte de fim-de-semana, tenho que dizer que não me emociono muito com o trabalho dele. Acho que pelas mesmas razões óbvias por quais normalmente ele é criticado: parece que o cara achou uma fórmula que agrada e continua repetindo ela incessantemente.
Até aà tudo bem. Não é o primeiro artista (e nem será o último) que faz isso. A questão é que o cara não me faz questionar nada quando vejo suas obras, e acho que esse é o grande barato da arte. É tão bom quando você está vendo uma obra que te leva para lugares que você nem esperava, nem imaginava. Mas o que a gente pensa quando vê as obras dele? Algo como “Pôxa, ele consegue fazer arte do lixo?”, “Pôxa, que sacada fazer isso com um prato de macarrão?”. Hum… sei lá. Não sei se é isso que espero quando vou a um museu.
Aà nessa semana uma amiga que adoro, que faz mestrado em ciência da arte (!), escrevendo dissertação em videodança (!!), me levou para uma mostra que aconteceu aqui no Rio chamada Dança em Foco. Com o risco de estar sendo preconceituoso, pode ser que eu tenha sido o único engenheiro que foi ao evento. Voltado para videodança, tenho que dizer que achei o máximo. Estou vidrado. E nem imaginava, mas é um mundo que não se trata de espetáculos de dança filmados, apesar do que o nome sugere. É muito mais do que isso. Movimentos, sons, a posição da câmera, são obras que te fazem viajar. Abrir a criatividade, pensar em um monte de coisas, criar associações inesperadas. Exatamente o sentimento que acho que a arte deve despertar na gente.
E na mostra vi um vÃdeo que a maravilha da internet vai me deixar postar aqui no blog. É o trabalho de um cara chamado Thierry de Mey, que vim a descobrir nesta semana que é uma das principais referências da videodança. O cara é incrÃvel. E esse vÃdeo especÃfico dele me fez lembrar de outro, um clip de música da Feist que se não me engano foi lançado em 2007. Dessa comparação eu pensei no Vik Muniz. Sei que estou sendo completamente ignorante e leviano em fazer isso, mas o blog é meu então aqui eu posso :)
Para mim o clip da Feist é como o Vik Muniz. Bonitinho, legalzinho, agradável… mas não passa disso. E o do Thierry de Mey… ah, esse é a viagem que eu espero da arte. Bom, chega de papo. Seguem abaixo os dois vÃdeos. Vejam se concordam ou se estou viajando.
Feist – 1234
Thierry de Mey – One flat thing reproduced (3/3)
Para quem se interessar, seguem outros trabalhos do Thierry de Mey:
Rosas Danst Rosas (meu favorito)
Love Sonets











Hey!
1. Havia engenheiros na programação da mostra.
2. A comparação é válida na medida em que revela o abismo colossal entre Feist e Mey. (Quanto a Vik, acho que ele seria melhor comparado com Hirst e Oiticica).
3. São vÃdeos, isso é o traço comum. Porém, o movimento, o ritmo, a edição, enfim, quase tudo (há uma espécie de locação semelhante nos dois) difere. Não sei se você está tentando distinguir arte de entretenimento (em especial, videoclip e videodança). De todo modo, acho que a imagem (a qualidade da imagem, não em bytes, mas no modo como ela é produzida) é absolutamente diferente de um caso a outro. E isso não é pouco.
Como assim, Manoel??? Você vem no MEU blog para me dizer que estou misturando alhos com bugalhos????
:D
Acho que concordo com você.
Para falar a verdade estou revendo meus conceitos quanto ao Vik Muniz. Hoje fui na exposição do Keith Haring aqui no Rio, na Caixa Cultural (excelente por sinal), e saà de lá pensando muito nisso. Me dei conta da incoerência da minha posição. Esse ano comprei um casaco todo estampado com os desenhos do Keith Haring, mais comercial impossÃvel. E vi na exposição de hoje que ele próprio abriu uma loja em Nova York.
Tem um vÃdeo na exposição que ele fala sobre a possibilidade da pessoa se divertir em uma galeria, das obras serem “user friendly”. E, ironicamente, eu trabalho justamente com isso. Revisão de processos para que eles fiquem “user friendly”. Achei que isso não poderia se encaixar com arte, mas estou me dando conta de como estava sendo careta nessa posição.
E falei no post que o Vik Muniz não me fazia questionar sobre nada. Mas fala sério: vi a exposição dele há um tempão e ainda estou escrevendo sobre isso aqui no blog, conversando sobre o assunto com alguém que eu nem conheço, fazendo associações com Keith Haring… O próprio tÃtulo do post foi um questionamento (“Arte?”). Claro que ele está me fazendo questionar sobre as coisas.
Posso não ter me emocionado na exposição do cara, mas aà é um problema meu.
Estou revendo meus conceitos. :)